Artesãos relatam importância do apoio do Idene na divulgação do seu trabalho

No dia do Artesão, o Idene traz a história de quatro desses profissionais
A Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu 19 de março como o Dia do Artesão, uma forma de valorizar o trabalho manual, a cultura e a economia criativa. Minas é rica no seu artesanato e o Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene) tem viabilizado a participação gratuita desses profissionais em feiras e exposições, instalando-os nas áreas que adquire nesses eventos.
“É uma forma de apoiar o artesão que, muitas vezes, não pode custear financeiramente um estande nesses eventos. Ali ele pode vender seus produtos e, principalmente, fazer a divulgação, que é importante para conquistar clientes”, argumenta o diretor-geral do Idene, Henrique Oliveira Carvalho.
Facas artesanais

O que iria para o lixo se transforma em peças utilitárias e em fonte de renda. Esse é o trabalho do artesão Antônio Martins Moreira, de Ponto Chique, Norte de Minas, que utiliza de sobras de plantadeiras, discos de arado e sabres de motosserra que iriam para o lixo para criar diversos tipos de facas artesanais para cozinha, pesca e churrasco. O que começou como hobbie há cerca de quatro anos tornou-se sua principal fonte de renda. Ele acredita já ter produzido cerca de 2 mil facas.
Das árvores caídas ou podadas ele recolhe a madeira para criar um variado leque de peças como petisqueiras, tigelas, tábuas para churrasco e outros utensílios para cozinha. No ano passado ele participou da Fenavasf, realizada em Buritizeiro, no Norte do estado, em estande adquirido pelo Idene, momento que considera como o ponto de partida para seu crescimento. A divulgação do seu trabalho, que era restrito ao Norte de Minas, atraiu clientes do Nordeste e do Sul do país. “Com essa evolução eu comprei uma máquina e passei a fazer outros tipos de peças como gamela, pilão e copos. Com o artesanato eu quero contar a minha história”, diz.
Paisagens de Minas

Maelson Nunes Silva é artista plástico morador de Brejaúba, comunidade rural de Ladainha, município do Norte de Minas, onde faz pinturas em óleo sob tela em quadros e em objetos alternativos como pás, garrafas e enxadas. Sua predileção é pelas paisagens do interior de Minas. Ele costuma pintar quadros durante as feiras que participa, atraindo a atenção das crianças, que param para conhecer e acompanhar o seu trabalho. “Essa interação com o público é uma das coisas boas que acontece durante os eventos”, diz.
No ano passado ele participou do 30º Festival da Cachaça de Novo Cruzeiro, junto com outros expositores, na área adquirida pelo Idene. Ele elogiou a infraestrutura do evento, com estande individual para cada participante mostrar seu trabalho. Para ele, além da divulgação, o festival foi importante para encomendas futuras que negociou durante o evento.
Retalhos recriados
Alessandra Pereira Silva é artesã em Montes Claros, onde produz tapetes, bolsas e ecobags utilizando retalhos que sobram da produção industrial. As peças são confeccionadas em patchwork em tecidos de algodão, brim e jeans. A ideia de criar as peças nasceu durante o período de isolamento social provocado pela pandemia da Covid-19. “Foi uma forma de lidar com as preocupações, incertezas e angústias daquele momento”, relata. Foi assim que nasceu a Arte em Retalhos, que hoje é a principal fonte de renda de Alessandra.
O apoio do Idene foi fundamental para que Alessandra participasse em 2025, pela primeira vez, de uma feira nacional, a Fenics, de Montes Claros. Além das vendas realizadas durante e no pós-feira, ela cita a oportunidade de divulgar suas peças e redes sociais, o que lhe permite manter contato com diversos clientes. Foi durante a Fenics que Alessandra conheceu estudantes de Administração da Unimontes que até hoje lhe dão orientações e dicas de mercado.
Afeto

Também em Montes Claros, Andrea Boaventura fabrica geleias de frutas, doces e conservas. Ela começou há nove anos, produzindo para familiares e depois partiu para as vendas ao público, até criar sua MEI em 2021. Em todo o processo ela tem a ajuda do marido, que faz as compras, coloca os rótulos e ajuda na cozinha. “Mas quem mexe a panela sou eu”, diz. Ela também participa de feiras e exposições por meio do Idene. “Esse apoio do Instituto é fundamental pois abre portas para a participação em grandes eventos como a Expomontes e a Fenics”, ambas em Montes Claros, relata.
Para Andrea, ser artesão é produzir “com afeto e com cuidado, por isso é bonito. Quando trabalho, coloco toda dedicação em cada produto, que é feito individualmente. É um processo afetivo”, diz. Ter uma data para celebrar o dia do artesão é importante, pois traz visibilidade. “Na maior parte das vezes o artesão está escondido, sem divulgação”, diz.
